Eu não sei o que você tem feito. De repente você me varre da sua vida,
vida da qual antes queria que eu fizesse parte. Me expulsa do time para o qual
me escalou capitã. Nenhum ser racional entenderia com facilidade isso. Nem
sei o que tenho feito. Vivendo apenas, daquele jeito ainda sem sal, porque o
saleiro eu não achei; com uma saudade clandestina de alguém que nem sei se
ainda existe - dentro de ti - e com raiva também, por tudo. Eu não tenho mais
espaço aqui dentro pra guardar tanta coisa diferente e intensa, se não faz mal
a ninguém, eu libero. Eu queria me livrar mesmo de tudo. Sei o que nós estamos
fazendo, estamos parados. Deixando que essa inércia decida por nós, que essa
distância cure algo, ao menos em mim, e que o tempo vá, passando, até que cada
um vá pro seu lado e eu possa fingir que foi tudo ficção, que o capítulo
acabou, são páginas passadas. Que o melhor venha, e que o pior se atreva a vir
- e mesmo assim, que demore, sem pressa ou urgência. Se alguma resposta quiser
chegar, estarei com a mente aberta, sou toda ouvidos. Pois ainda não compreendo
como os sentimentos das pessoas por mim são tão fracos, que se esvaem. Será que
o meu é que não consegue ser finito pelos outros? E também, se a resposta não
viver, que eu mude de pergunta, ou desista dessa incessantes busca por
respostas inexistentes. Se você acha que eu transformei um comercial em novela
mexicana, viva você com um coração sangrando e chorando e depois me diga se não
há razões para que se fique triste ou lamente. Pra você é fácil: ou finge estar
bem, ou realmente, está bem. Para mim é difícil, não consigo nenhum dos dois.
Enquanto a modalidade é ter o nome de vários na agenda do celular para uma
futura programação, eu só quero um nome de quem eu goste, pra colocar junto ao
meu, dentro de um coração - e ainda por cima escrever p/s com toda a
ingenuidade de quem não conhece o fim natural das coisas. Sinto saudade de um
beijo cheio de sentimento, de um olhar quase eterno, de um abraço que te
preenche os vazios, de um carinho sincero. Falta-me o seu lado bom, que o ruim
encobre, mas que vez ou outra, retorna a mim como uma lembrança, doída. Me diga
se não é injusto pensar que você está em algum lugar pensando em alguém que não
sou eu, enquanto eu estou aqui pensando em você. Só queria que você sentisse
minha falta. Estou cansada de não dividir com ninguém essa saudade, me sinto
pequena demais. Nem precisa ser saudades minhas, que seja então saudade de nós,
do casal que éramos. Que chegue então algum pedido de desculpas, que o pombo
não trouxe e nem chega aos meus ouvidos de boca em boca. Nem com papel e letra.
Ou que alguma saudade, te faça mudar esse borrão que ficou do nosso arco-íris.
Esquecer nem de longe é deixar de amar, e gostar de você, ainda, dificulta a
ideia de não lembrar que você existe. Não aguento mais meu bairro e suas
recordações, minha casa com tuas memórias, meu eu com tuas marcas. Se quer
consigo reproduzir minha angústia ou ira, nada sai de minha boca, eu temo em
escrever, não mando recado algum. Preciso de um dose cavalar de amor próprio
para não me importar com o seu desamor por mim. Preciso de muito amadurecimento
para aceitar que estou sem êxito no amor, por tempo indeterminado. E digo mais,
não gosto dessa ideia de que ninguém me merece. Eu me sinto especial, mas também
excluída. Não me encaixo a nada, logo, sou ímpar, predestinada a ser o número
1. A oração principal, que não tem sentido sem a subordinada, mas que nunca
acha o que lhe falta. Estamos sempre a espera de alguém que faça tudo valer a
pena. Pelo visto não consideramos que possamos valer algo. Sei lá, acho
que o dragão comeu de novo o meu final feliz. Volto pra minha cama, de casal,
da qual só uso um lado. O lado que sobra sempre me lembra que algum pedaço está
ausente, que tenho um vazio interno não identificado, que passo dias a tentar
preencher. Lembro de você com uma mistura tão loca de sensações que só sei
pedir que você logo suma. Embora eu saiba que deveria entrar em greve de falar
de você, minhas greves sempre foram erradicas por mim mesma, impossíveis de
serem levadas adiante. Espero então uma pausa, como se você pudesse sumir do
universo um pouco. Queria que você mudasse de planeta, para que fôssemos
incomunicáveis, para que notícias suas nunca chegassem, para que você não
existisse no meu mundo, de jeito nenhum. Porque até parece que eu preciso
de uma nova vida pra tirar você da minha e nem sei onde eu consigo uma. Por
isso queria tanto que você desaparecesse, assim eu não teria que me lembrar do
quanto dói e de como a cicatriz é extensa. Quero me livrar dessas raiva, que
nem tem um motivo certo, e sim, vários aspectos; dessa maré de sentimentos
confusos, que quer perfurar minha rocha. Preciso que o tempo passe e que eu
possa enterrar isso. Que eu não tenha sonhos, impossíveis de se realizar
no plano real, e muito menos, pesadelos. E se o que vai embora é porque algo
novo quer chegar, que não demore mais tanto tempo para que o novo chegue.
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