domingo, 8 de janeiro de 2012

Reconstrução Íntima

Às vezes me sinto como o Brasil na época da ditadura: me ame ou me deixe. Noutras vezes, sinto tanta vontade de chorar que tenho medo que meus olhos saiam boiando nesse mar de água salgada lacrimal. É esse meu calendário louco, com dias estranhos,desses que encaminham para desfechos desconhecidos, curiosos e imprevisíveis. Como pode alguém que quer dar amor ao outro, se dar tão mal? Quando sigo a bíblia, dando amor ao próximo, me prejudico (sei la não sei esperar). Cadê o erro, Papai do céu? Não se pode ser generosa e doar um pouco de amor? Pior ainda: não se pode dar amor e receber de volta na mesma medida? Ame o outro como a si mesmo, não mais do que a si próprio, não se pode ser generoso e nem coração aberto em relação a isso. Lá vou eu, com algumas lágrimas de quem ainda se importa com alguma coisa, querendo que logo seque, deixando escorrer tudo com força. Guarde uma chuva de lágrimas para ver se ela não volta em seu modo furacão. Brigando com essa situação da qual não posso assumir as rédeas, com meu pensamento de que passa decorado, e dizendo a mim mesma que é fase. Sem essa de que são lágrimas por um idiota, são lágrimas por mim. Se o que ele faz me atinge, é porque seu magnetismo interfere na direção da minha bússola que quer me levar para frente, tira da rota certa o meu trem. Está aqui dentro, em um cantinho obsoleto, todo esse sentir, que precisa de atenção e tratamento. É tão ruim quando o poder não está em suas mãos. Quando a atitude do outro é a que pode mudar alguma coisa. Quando estás presente, eu coloco uma capa invisível sobre você  tentando tornar invisível a dor também. Afinal, o que os olhos não vem, o coração não sente,dizem. Aproximação está interligada a sentir saudade em demasia, dessa forma, me afasto, a fuga me sai vantajosa. Eu não quero mais nada nosso, do que já foi, não lutarei por pedaços. O nojo chega, invoca e eu faço força e concentro, hoje funciona: anulo esse mal que me faz e só quero distância. Essas minhas lacunas serão preenchidas e nem do teu ônibus eu sinto raiva. É ontem demais pra mim, e nem quero. Faço da minha sexta a noite um programa caseiro; do meu sábado idem. Com meus livros espalhados, computador funcionando e algum filme em mente, solita. Sair para quê, se esse meu mel só atrai formigas, besouros e mosquitos. Ou seja, chatos, irritantes e cruéis. Ainda não descobri de que me adianta ser tão diferente quando eles são todos iguais. O meu jeito de ser e me relacionar com os outros, minha postura, é que deve atrair esse tipo de relacionamento, avassalador em seu fim. Intenso enquanto dura, uma tragédia quando acaba. Não fiz curso, para administrar casos, não brinco com sentimentos alheios, da mesma forma que resguardo os meus e peço respeito e consideração para com eles. Não é questão de acreditar em promessas e sofrer quando elas se quebram, é acreditar nas pessoas, no que elas são, e quebrar a cara. Isso de jardins e borboletas tem um porém: ninguém conta das pestes, leia-se velhos amores, e nem onde se vende pesticidas fortes o suficiente para combatê-los. Eu fui desconectada de mim mesma, e cá estou tentando fazer a ligação que me ative novamente, mas o fio azul não funciona mais em união com o vermelho. Essa velha que eu não quero guardar em mim; essa mania de sofrer para dentro, com todos achando que sou forte, quando na verdade minha sensibilidade me deixa embalar a angústia. Quem leva a vida é a morte, não vou ficar empurrando a minha, manejando essa morte lenta. A vida é pra se viver, acordei e abri os olhos. Depois de tanto tempo achando que eu afastava as pessoas, passei a me aproximar, abrir o sorriso. E quando esperamos e pedimos desesperadamente que alguém apareça na nossa vida, não nos damos conta de que na verdade, pode ser a nossa vez de acontecer na vida de alguém. Porém estou fora, quero descanso, uma calmaria não anunciada, saber de mim para depois descobrir o outro. Que isso dure tempo suficiente, e que eu não ceda ou entre em qualquer túnel sem saída sem estar devidamente protegida. Já me gosto demais, fui educando esse meu amor exclusivo, e acabei descrente nessa magia de casal - que sei que hora ou outra, cruza comigo na esquina e não me larga mais. Estou pronta e disposta a experiências, amostras de novidades, dessas que não vêm com contra-indicações e danos colaterais irreversíveis. E ainda que viva em desordem interna, consigo progresso, passo a passo, pra não quebrar o que anda frágil e nem prejudicar o que desenvolve com lentidão. Mudando um pouco a cada dia a minha forma de pensar, de agir, de levar e sentir. Se é bom ou ruim, só saberei vivendo, e hoje o que não falta, é determinação para isso. Coloquei sozinha meu trem no trilho e farei funcionar; aproveitar a paisagem, que hoje já não carrego comigo a pressa. Aí vou eu, adeus.



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