A
gente me dói. Sabe quando a gente brinca de dar tapa um no outro? Então, é
nessa hora que eu sei que somos como os casais de filmes. E dói. Também, sempre
que acontece algo, eu quero sair correndo e te contar, ouvir sua opinião. Isso
porque, você é um dos únicos que me conhece, mesmo não entendendo nada de mim e
me achando ridícula várias vezes. Não te conto, mas tem dias que eu fico em
dúvida se te amo. E vivo bem tranquila sem você, até que você me faz uma falta
e eu preciso muito resgatar um pedaço meu que ficou dentro de ti, te procuro. É
esse amor bipolar com dias que eu nem te quero, e outros, que choro horrores só
por não ser mais sua. Até nossos filmes passam juntos, no mesmo dia, e as
nossas músicas estão na boca de qualquer um, da rua por onde passo. Então já
diz a música, que amar não é ter que ter sempre certeza, e eu concluo que com
você, certeza é a última coisa que terei. Essa vai ser minha loucura por muito
tempo, minha interrogação clandestina. Tu não és nada são e aliás, é por causa
da tua loucura, que eu fico mais doida do que já sou. Talvez a gente nem se ame
mais, só que do seu lado, eu sinto um ímã me puxando, e quero ficar apenas ali,
junto. Deve ser você, você tem algo que eu sempre gostei, e digo
sempre, antes dos beijos, quando a gente era só sorrisos e conversas
fúteis. A gente se rende, no fundo só a gente se entende e mais que
tudo, a gente se surpreende. E meu medo maior é de qualquer recaída minha, já
que meu coração me trai, em meio a essa corrupção amorosa, com seus
subornos, com migalhas de atenção e frágil afeto. Eu me rendo toda,
querendo roçar em você; querendo que meu pelo de braço alemão, loiro e bem
clarinho, encoste no seu braço metade pôlones, metade italiano, bem forte. E eu
quero o meu nariz no seu pescoço, sugando todo o seu cheiro, e sua boca na
minha orelha, me levando pra longe. Daí eu quero a gente, fico desejosa por nós
dois; quero sua caminhada dançante e me enrolar no cobertor pra ver filme.
Quero sua cara de sono e suas declarações amáveis. E nada disso dá, a gente já
era. Aceito isso, e até compreendo porque assim tem que ser, mas não gosto. Não
tem gosto, não tem nada, não tem a gente; e por não ter a gente, não fica
bonito, não fica bom. Te confesso que eu quis ficar longe apenas para não
deixar crescer minha vontade incontrolável de ficar perto, de não soltar mais.
E essa saudade chata, me cansa; essa vontade de ficar no seu colo, sendo
sua menininha, ouvindo suas histórias. Querendo que você diga que sem mim não
deu, não está dando e nem vai dar, pois você não vai tentar, distância nunca
mais. Com vontade de estar na sua vida, sabendo que é por escolha sua, em
conjunto com a minha, e que sou importante, tão ou mais como antes. Não
acontece. Nem as ligações que eu penso em fazer, se realizam. E nelas eu diria:
"olha, eu estou aqui com o estômago embolado, chateada e deprê, será que
você pode me dizer que está ficando louco também?"; ou até me declarar,
boba e ingênua, dizendo que te quero aqui e agora, comigo, esperando que você
faça do meu querer poder e o torne possível surgindo diante de mim. Mas passa,
essa vontade toda passa, e eu eu acho que nós dois somos doentes, e nem
estejamos cientes da doença, de tanto que gostamos, e não percebemos o quão
prejudicial ela é. Ou que sou eu quem está dominada por esse mal, que
se fantasia de um amor tão fraternal, que me faz te querer tão bem,
te querer tanto. E por isso peço, que não se aproxime, porque eu não sei me
distanciar. É como se contasse com você pra ficar longe da gente, de tudo que
somos. No fundo (e eu sei lá onde esse no fundo fica) eu sei que a gente
não vai dar em nada, como fogos de artifício que apenas fazem a festa e depois
cessam. Você me faz acordar todo dia, arregalar os olhos e ter certeza que isso
não vale de nada. Que eu não tenho motivo nenhum pra lutar por alguma coisa.
Mas mesmo assim, eu sigo me importando, até mesmo com a sua dor de cabeça. Só
que eu não me importo porque eu quero, e sim, porque eu ainda gosto. Não é uma
opção pra mim. Por mais que eu não saiba absolutamente nada do que eu ainda
sinto. Sei que te perco toda vez que você dá as costas, e enquanto caminha pra
longe, vai me rasgando, me abrindo feito ziper. Toda vez que você é estúpido eu
me perco também, e somando isso, perdemos a gente. E logo você arruma alguém,
se apaixona mesmo, e eu não quero ficar aqui, assistindo. Sabendo que todas
essas meninas que vão ficar com você, e fazer você feliz, não te conhecem; por
mais que você pense que eu não te conheça, eu te sinto, e te sentir é saber
muito a seu respeito. E elas também não vão tentar desvendar seus mistérios
ocultos e tampouco descobrir tuas mentiras. A gente é muito um do outro, e nem
sabe. Mas você quer muito ser de alguém, e eu queria muito que você fosse da
gente. Mas nosso vaso não cola, o brilho não se iguala ao original, e esse
nosso vaso quebrado, só serve para machucar meus pés. Você pode até não
entender minha distância, me achar covarde por não lutar por nada, mas eu não
dou sangue nenhum em batalha alguma, se do outro lado, braços não estiverem
abertos para me receber e apoiar. Talvez você não compreenda agora, mas é
diferente você lutar para ser rei de um castelo e ser destronada. A certeza que
tenho, é que não quero mais sofrimento pra mim, e por isso, abro mão da gente,
de qualquer coisa que possamos ser. Porque esse nosso ioiô, uma hora me
traz confusão, noutra sorrisos; e só o que quero é em meio a paz e o caos,
ficar bem. Preciso ser aquela pessoa que eu era com você, só que dessa vez, sem
você. Fico então com nada; se eu não tiver nada, não posso perder, o nada não
machuca e não tira meus pedaços. Só deixa o oco, que pode ser preenchido
futuramente, sem pressa. E assim, desfaço o laço, que parecia forte e era tão
bonito entre nós dois. Com muita pena, porém sabendo ser preciso. Porque agora
é verdade que o nosso teenage dream acabou e só o que eu desejo, é que ele não
se torne um pesadelo, que não estrague o que ora já foi belo. Um dedo de cada
vez e enfim, te solto, te deixo ir. Um dedo de cada vez, e depois, as duas
mãos; por fim te solto, de coração.

Nenhum comentário:
Postar um comentário