Por fora, colori as paredes, dei tons
alegres e até pendurei uma plaquinha receptiva às visitas na porta de entrada.
A casa é tão linda e inteira por fora… Então, após você adentrar, descobre que
quer fugir, sair por aquela porta e sequer ficar para o café que há muito está
esfriando esperando por visita. Você descobre que a casa é nova, mas parece ter
sofrido um furacão internamente. A cama, a única que a integra, não vê sonhos
há muito tempo. Ela parece que perdeu o jeito de servir às noites de sono. A
cama talvez não, eu, quem sabe…
Acho que quero me mudar… Quero uma casa com
sacada para respirar fundo pela manhã, uma cozinha espaçosa para os cafés e
almoços de domingo, uma cama que conforte choros e abrigue os sonhos, portas
grandes e janelas de cor clara, sempre abertas e com cortinas de renda. Quero
um quintal para desenhar no chão, aproveitar o sol e sentir os espaços sendo
preenchidos pouco a pouco. Quero visitas. Quero, sobretudo, companhia na minha
morada.
A
casa irá ruir. Antes do desastre, vou-me embora. Já cansei de reformas. Vou construir
tudo do zero. Sinto que preciso querer me habitar.
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