só me lembro de um sussurro discreto dizendo algo como "fim". Talvez
o fim do próprio sonho. Mas quem estou tentando enganar? Pelo menos daquilo eu
tinha certeza: era o fim de nós. Não o fim do nosso amor, porque amor não
se vai, ele fica lacrado dentro de um buraco no peito quando é rejeitado. Mas
as pessoas sempre arrumam um jeito de burlar a segurança do coração, e deixam
esse amor sair de novo. Foi o que fizemos durante anos: deixamos o amor
florescer quando já não era nem mais perceptível. No entanto, sempre acontecia
algo que nos fazia trancá-lo novamente. E burlar a segurança. E trancá-lo. E
burlar. E trancar. Burlar. Trancar. Tanto que já estávamos acostumados à todo
aquele sofrimento que insistia em nos seguir. Até aquela noite. Pois sabíamos
que era o fim. Nem seus olhos podiam mentir. Era o fim, de verdade. O
nosso fim.

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