segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Pode ir, mas não me leva



Então, pode ir. Sem mágoa, sem receio, sem pena. Vai... Mas deixa um pouquinho de você comigo? Deixa seu cheiro na minha roupa, seu cabelo no travesseiro, seus olhos no espelho. Fica um pouco, senta aqui. Quero o último beijo, o último abraço. Me dá a mão, toca em mim. Não é migalha, é despedida. Deixa eu te sentir pela última vez. Me olha, pára com esse medo, tira essa máscara. Pode respirar. Pode desabar. Tá doendo em mim também... É normal, somos de carne e osso. Levanta a cabeça, me encara, olha nos meus olhos. Vamos aceitar isso numa boa? O amor não é eterno como pensamos. É finito, como nós.
Posso enxugar essa lágrima? Não me olha assim, fala alguma coisa! Eu também tô ferida, você não entende? Não quero ir, não quero que você vá. Mas aqui não existe mais nada, amor... Só tenho lembranças. Lindas e guardadas a sete chaves no meu coração. Tem um lugar seu dentro de mim que ninguém jamais vai substituir. Mas olha isso aqui fora, nós dois nos olhando feito bobos. Não somos mais bobos apaixonados, somos bobos derrotados. Nosso jogo acabou e nenhum de nós é vencedor. Ou somos dois. Dois vencedores com medalhas, tesouros, troféus: o que vivemos, aprendemos e sentimos por tanto tempo. Tempo bom. Tempo eternizado em nossos versos e canções. Tempo gravado em nossas memórias. Mas já é hora de ir. Esse tempo acabou, ficou pra trás. E quando eu te ver saindo por essa porta, carregando uma mala, vou te ver levando embora um pedaço meu. E uma bagagem de uma vida - a nossa. Mas no fundo eu sei que com você vai embora também nossa dor, nossas tentativas, nossa raiva. E então, eu consigo enxergar uma luz. Um recomeço. Eu vejo esperança, fé... Eu vejo Paz! Eu me vejo... E me quero de volta. Sem você.
Agora me abraça forte, engole o choro. E vai... Mas não me leva, não.


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