quinta-feira, 26 de julho de 2012

O desapego




Ontem ele veio me falar de amor. Era estranho ouvi-lo dizer tudo isso porque já não sabíamos mais o que sentíamos um pelo outro e sabíamos, menos ainda, se era recíproco. Nós dois tínhamos uma ligação, mas depois de ouvi-lo me deu uma vontade incontrolável de quebrar laços. Quebrar laços… logo eu que sempre tive medo de sair da rotina, de me afastar de pessoas, de perder alguém ou, simplesmente, de permitir mudanças. Depois daquelas palavras eu me lembrava dos sorrisos e brincadeiras e tinha vontade apenas de deixá-lo ir. Dizer que não sentia meu coração batendo mais forte, o pouco que fosse, seria hipocrisia da minha parte. Mas não compensava mais insistir em alguém que faz meu coração acelerar “o pouco que fosse”. Eu já não queria mais viver de expectativas, porque sei o peso que elas trazem… não queria viver baseada em nada que não viesse acompanhado de taquicardia, sorrisos espontâneos e exagerados, gargalhadas sem motivo, sorrisos e olhares que se entendem. Já não era tão difiícil imaginar minha vida sem ele, sem os olhos dele sobre mim durante as noites, sem os seus braços envoltos ao meu corpo em momentos de carência, sem seus lábios tocando os meus quando as palavras insistiam em sair em momentos inadequados ou sem sua companhia nas noites de insônia. Eu sei, seria ridículo dizer que o esqueci, mas, os momentos que passamos juntos e suas palavras já não têm tanto efeito mais sobre mim. Nossas vidas se descruzaram e, hoje, estamos prontos para seguir em frente, sozinhos ou nao, sem receios e sem medos. Hoje é como se nossas vidas fossem um rio, e nós como navegantes, podemos escolher nossos destinos, apesar das correntezas prontas para nos derrubar. Talvez essas correntezas não nos levem ao mesmo lugar, mas caso nos encontremos nas entrelinhas da vida, farei gosto em relembrar, com ele, os nossos momentos mais bonitos, inclusive este, movido ao desapego.


Nenhum comentário:

Postar um comentário